Cinema

Laços de Família

“O sangue é mais forte que a água do mar”

Por Mário Costa

O filme  A Fábrica (2011), dirigido por Aly Muritiba, é uma produção da Grafo Audiovisual com a  co-produção da RPC TV. O curta-metragem de apróximadamente 15min. adota a estética do 35mm, com planos próximos e com câmera solta em alguns momentos . A Fábrica conta a história de um detento que convence a sua mãe a entrar no presídio, onde ele está, com um celular escondido nas partes íntimas. O enredo da história mantêm um clima de suspense até o último momento.

O diretor Aly Muritiba trabalha com poucos dialógos ao longo da trama, identificando com imagens boa parte da história. Os planos próximos como na cena do preparo do frango na panela de ferro ao fogão de lenha pela mãe do presidiário demonstra a classe social da família. A trama se passa com uma família humilde de classe baixa.Destaque para a fotografia de Andre Chesini e para a direção de Arte Alex Rocca e Ana Deliberador que são detalhes da produção que no resultado final contrastam com ar frio dos presídios.
No filme o telespectador identifica o cotodiano duas situações comuns ao grande público. Trabalhando com imaginário e imagens pré-estabelecidas o julgamento que cria-se, à primeira vista, que trata-se de uma história sobre tráfico, violência e transgressão de leis. As cenas curtas encaminham o telespectador por este viés, pois  há uma mãe com um celular, um presidiário e outros detentos em apenas mais um dia de visita, a princípio. 

O tema em questão não é o porquê o detento está preso, mas a necessidade do celular. A Fábrica fala de pessoas com família, histórias distintas e que nem sempre o óbvio é o certo. Por se tratar de um presidiário a  associação com o crime é inevitável, contudo o suspense que se mantêm até os últimos minutos surpreende o público e que ali só há um pai e uma mãe que se propõe a arriscar sua segurança pelo filho.

O filme teve 13 premiações sendo duas delas internacionais de melhor ator e melhor filme no Brazilian Film Festival of Toronto – 2011. O elenco conta com Andrew Knoll, Arnaldo Silveira, Eloina Duvoisin, Louise Forghieri, Ludmila Nascarela, Marcel Szymanski, Moa Leal e Otavio Linhares.

O que há por dentro da mente de Quentin Tarantino

Por Mário Costa

O curta metragem Tarantino’s Mind produzido pela 300 ML estrelando Selton Mello e Seu Jorge, fala das ligações entre os filmes de Quentin Tarantino. No curta os personagens estão numa lanchonete tomando suco de cevada (cerveja) e levando um daqueles papos tradicionais de bar.

Selton é um cinéfilo que acredita nestas ligações e que “Tarantino é um dos maiores”, enquanto Seu Jorge faz um papel de desentendido que acredita na história fabular sem questionar. As preposições levam o espectador a crer que as histórias e os personagens dos filmes de Tarantino tem realmente ligações entre si. Ou seja eles são continuações, amadurecimento ou prolongamentos.

Tarantino é conhecido pela não linearidade dos seus filmes, um exemplo é que Kill Bill II foi lançado antes de Kill Bill I, é como se a ordem da história não alterasse o fim. A mágica da mente humana de relacionar fatos (acontecimentos) passados com o presente, ou mesmo, projetar o futuro sem perder o linha de raciocínio.

Quentin abusa da violência, diálogos e das suas influências como cinéfilo que o exagero chega ser cômico ou fantástico e cada película sua é uma aula de cinema.Os metódos nada convecionais do diretor nos carregam a uma realidade alternativa, mundo das sensações, vida paralela e que o cinema é muito mais que espelhos, luzes e fumaça é possível criar o que nossas mentes pensam uma forma descontruída de enxergar ou como realmente somos?

O Roteirista e o Roteiro Vol.I

Por Mário Costa

Quem deseja ser roteirista precisa de duas coisas, a primeira um bom enredo e a segunda por no papel este enredo. Claro que vamos pular está parte correlata ou inerente à função que é ler bastante, ter senso de observação, conhecimento técnico sobre o assunto e, por final muito esmero... e que não se cria uma obra da noite pro dia. Pelo menos por hora.

Apesar de termos exemplos geniais como Glauber Rocha (Diretor e Roteirista), que tinha domínio sobre roteiro desde a sua criação a sua finalização, para o roteirista nato é diferente. Deve - se desapegar da sua obra no momento que entrega ao diretor, claro que pode ajudar na concepção, mas as idéias de câmera e de interpretação da cena são do diretor.

As preocupações do roteirista começam na criação da história. Por exemplo: “o personagem entra na sala pela lateral, com ar de cansaço, andando descompassado, com a mão esquerda alcança a xícara, na mesa de café, bebe um gole, fixa os olhos na janela”. Numa ação simples como tomar café quantas minúcias não compõem o roteiro. Ainda pode acrescentar as jogadas de câmeras, descrição do local ou ainda um StoryBoard, representação gráfica da cena.

O roteiro conta algo, a alguém, em algum lugar, sobre algum fato histórico ou fictício. Que envolve trabalho de pesquisa, como serão os personagens, roupas, costumes, ou seja, ambientação. Não adianta contar uma história sem descrever o que está a sua volta, faz parte da magia.

Então pegue sua idéia arranje um lugar, um personagem, uma donzela em perigo, um vilão e um conflito de valores bata no liquidificador com uma colher de borboletas, com pitadas de sal, açúcar e pimenta... quem sabe um manjericão, para  dar um sabor, mas antes, pesquise muito sobre o que irá escrever e assista muitos filmes para ter conhecimento e estrutura de criação, pois o roteiro não é receita de bolo mas é tão saboroso quanto.


Nenhum comentário:

Postar um comentário